O Make (o antigo Integromat) é uma plataforma de automação onde você desenha o fluxo em vez de programá-lo: cada app vira um módulo, os módulos se ligam por linhas e os dados percorrem o cenário de uma ponta à outra. Como o zapon expõe uma API REST direta para o WhatsApp, não há necessidade de um conector proprietário nem de aplicativo oficial na biblioteca do Make. Dois módulos genéricos resolvem tudo: o módulo HTTP > Make a request cuida do envio e o módulo Webhooks > Custom webhook cuida do recebimento.
Este guia percorre o caminho inteiro — da conexão do número no painel até um cenário de duas vias rodando em produção — usando os endpoints, headers e payloads reais da plataforma. Ao longo do texto, os termos WhatsApp Make, API WhatsApp Make e integração Make WhatsApp aparecem com frequência porque resumem as três peças de qualquer automação aqui: conectar o número, montar o módulo HTTP que dispara e montar o webhook que escuta.
O que você vai construir
O que dá para montar integrando o zapon com o Make?
Você constrói uma integração de WhatsApp de duas vias dentro de cenários do Make: um módulo HTTP envia mensagens pela API do zapon e um Custom webhook recebe cada mensagem ou evento do número conectado. Sem código, dá para criar confirmações, lembretes, notificações e até um chatbot encadeado a outros apps.
Ao final deste tutorial você terá dois cenários básicos no Make, e juntos eles formam a espinha dorsal de quase toda automação de WhatsApp:
- Um cenário de saída, que dispara uma mensagem de WhatsApp a partir de qualquer gatilho do Make — uma linha nova numa planilha do Google Sheets, um formulário recebido, um pagamento aprovado, um agendamento por horário (Scheduling).
- Um cenário de entrada, iniciado por um Custom webhook, que roda toda vez que o número conectado recebe uma mensagem — para responder automaticamente, gravar a conversa num banco ou avisar um humano.
- A junção dos dois, que vira um chatbot ou um atendimento assistido: o webhook escuta, os roteadores e filtros do cenário decidem, e o módulo HTTP responde.
Tudo isso roda sobre um número de WhatsApp comum. Não há fila de aprovação da Meta, não há templates obrigatórios e não há cobrança por mensagem. O número se conecta por QR Code, igual ao WhatsApp Web, e passa a ser pilotado pela API.
Pré-requisitos
O que eu preciso ter antes de abrir o Make?
Três coisas: uma conta no zapon (14 dias grátis, sem cartão) com pelo menos uma conexão de WhatsApp online, uma conta no Make (o plano gratuito já basta para testar) e um número de WhatsApp dedicado para conectar. Nenhuma conta de API oficial da Meta é exigida em nenhum momento.
Antes de criar o primeiro cenário, confira se você tem:
- Conta no zapon. Crie a sua em zapon.dev — são 14 dias grátis, sem cartão de crédito. É nela que você cria as conexões e copia o token de cada número.
- Conta no Make. O Make é 100% em nuvem, então não há nada para instalar nem expor. Toda URL de Custom webhook que ele gera já é pública e acessível pela internet, o que simplifica bastante o recebimento de eventos.
- Um número de WhatsApp. De preferência um chip dedicado à automação, e não o seu número pessoal. Esse número será conectado ao zapon e operado pela API.
Você não precisa de conta na Meta, não precisa do WhatsApp Business API oficial e não precisa cadastrar templates. O zapon conversa diretamente com o WhatsApp do número que você conectar — o Make só orquestra as chamadas.
Passo 1 — Conecte um número no zapon
Como conectar um número de WhatsApp no zapon?
No painel do zapon, crie uma conexão e leia o QR Code com o WhatsApp do número (ou use o código de pareamento). Assim que a conexão ficar online, copie o token dela — é esse token que autentica todas as chamadas que o Make fará à API e que define de qual número a mensagem sai.
Antes de qualquer módulo no Make, o número precisa estar conectado e a conexão precisa ter um token ativo. Esse token é a credencial que o Make vai apresentar a cada requisição.
Crie a conexão e copie o token
No painel do zapon, crie uma nova conexão. Cada conexão representa um número de WhatsApp e carrega o seu próprio token — uma string única que autentica as requisições daquele número. Copie esse token e guarde-o com cuidado: no Make ele entra como um header chamado token (não é Authorization, não é Bearer). Trate-o como uma senha, pois quem o tem consegue enviar mensagens em nome do seu número.
Dica: se você vai automatizar vários números, crie uma conexão para cada um. Como cada token corresponde a um número específico, o cenário no Make escolhe de qual número a mensagem sai apenas trocando o valor do header — o que abre espaço para roteamento por equipe, por filial ou por vendedor.
Conecte por QR Code ou código
Com a conexão criada, falta colocá-la online. Há dois caminhos:
- QR Code: o painel exibe um QR Code. No celular do número, abra o WhatsApp → Aparelhos conectados → Conectar um aparelho → e aponte a câmera para o código. É exatamente o fluxo do WhatsApp Web.
- Código de pareamento: em vez do QR, o zapon gera um código de oito dígitos. Você o digita no WhatsApp do número (em Conectar um aparelho → Conectar com número de telefone). Útil quando não dá para escanear a tela.
Assim que o WhatsApp confirma, a conexão muda para o status online no painel. A partir daí o número está pronto para enviar e receber pela API — e o Make pode entrar em cena.
Passo 2 — Enviar mensagem pelo Make (módulo HTTP)
Como enviar uma mensagem de WhatsApp pelo Make?
Adicione o módulo HTTP > Make a request, configure o método como POST apontando para https://api.zapon.dev/chat/send/text, acrescente o header token da sua conexão e um body JSON com Phone (destino) e Body (texto). Ao rodar o cenário, a API entrega a mensagem e devolve o ID dela no output do módulo.
Este é o coração de qualquer cenário de saída. Não existe módulo "zapon" no Make — e você não precisa de um. O módulo genérico HTTP > Make a request, presente em qualquer conta, faz a chamada à API de envio de texto e nada mais é necessário.
Configurar o módulo HTTP
No editor de cenários do Make, clique no botão de adicionar módulo, busque por HTTP e escolha a ação Make a request. Em seguida preencha os campos:
- URL:
https://api.zapon.dev/chat/send/text.
- Method:
POST.
- Headers: adicione uma linha com Name
token e Value igual ao token da sua conexão. Acrescente também Content-Type com valor application/json.
- Body type:
Raw, e em "Content type" selecione JSON (application/json).
- Request content: o JSON com
Phone (número de destino no formato internacional, só dígitos, ex.: 5511999999999) e Body (o texto da mensagem).
A força do Make aparece no mapeamento de campos. Em vez de fixar o número e o texto, você arrasta os dados do módulo anterior para dentro do JSON. Se o gatilho do cenário for uma planilha, por exemplo, basta clicar no campo Phone e selecionar a coluna do telefone na paleta de variáveis que o Make abre; o mesmo para o Body. Assim, o mesmo módulo HTTP dispara mensagens diferentes para destinatários diferentes a cada ciclo do cenário.
Autenticação pelo header token
A API do zapon não usa Bearer nem OAuth. A autenticação é um único header chamado token, cujo valor é o token da conexão que você copiou no Passo 1. No módulo HTTP, esse header vai na seção Headers. Para não deixar o token espalhado pelos cenários, o ideal é guardá-lo em uma Connection do tipo "API Key Auth" ou em uma variável de dados do Make e referenciá-la — assim você troca o token em um só lugar se ele mudar.
Veja a chamada completa, com os campos prontos para receber o mapeamento dos módulos anteriores:
módulo HTTP — Make a request
POST https://api.zapon.dev/chat/send/text
token: SEU_TOKEN
Content-Type: application/json
{
"Phone": "5511999999999",
"Body": "Mensagem enviada pelo Make"
}
Ao executar o cenário (ou rodar o módulo isolado com "Run this module only"), a API responde com um JSON confirmando o envio e trazendo o identificador da mensagem:
resposta da API
{
"success": true,
"data": {
"id": "3EB0…"
}
}
O Make analisa essa resposta automaticamente quando você marca a opção "Parse response" no módulo HTTP. Com isso, os campos success e data.id ficam disponíveis como variáveis para os módulos seguintes — você pode, por exemplo, gravar o id de volta na planilha para rastrear cada envio de WhatsApp pelo Make. Pronto: o cenário de saída está completo.
Passo 3 — Receber mensagens (Custom webhook)
Como receber mensagens de WhatsApp no Make?
Crie um cenário que comece com o módulo Webhooks > Custom webhook, copie a URL que o Make gera e cadastre-a no painel do zapon, na seção Webhook da sua conexão, marcando os eventos desejados. A partir daí, cada mensagem recebida pelo número chega como um POST que dispara o cenário no Make.
No cenário de entrada a lógica se inverte: agora é o WhatsApp que avisa o Make. Isso é feito com um Custom webhook — o zapon entrega cada evento (mensagem recebida, status de entrega, etc.) via POST na URL que você indicar, e essa URL é a do Custom webhook do Make.
Criar o Custom webhook
No Make, crie um novo cenário e escolha como primeiro módulo Webhooks > Custom webhook. Clique em "Add" para gerar um novo webhook, dê um nome (por exemplo, "WhatsApp zapon — entrada") e o Make produz uma URL pública única. Copie essa URL — é ela que o zapon vai chamar a cada evento.
Há um detalhe importante do Make: para que ele aprenda a estrutura dos dados (o "data structure"), o webhook precisa receber um POST de amostra. Por isso, deixe o módulo em modo de escuta ("Determine data structure" / Run once) e provoque um primeiro evento real — basta mandar uma mensagem de teste ao número depois de configurar o webhook no zapon. Com a amostra capturada, todos os campos do payload (remetente, texto, tipo de mensagem) passam a aparecer na paleta de variáveis para os próximos módulos.
Logo após o Custom webhook, é comum encaixar um módulo Router ou um Filter para tratar apenas os eventos que interessam — por exemplo, processar somente mensagens recebidas de terceiros e descartar as que o próprio número enviou, evitando laços.
Configurar o webhook no zapon
De volta ao painel do zapon, abra a sua conexão e localize a seção Webhook. Lá você:
- Informa a URL do Custom webhook do Make (aquela que você acabou de copiar).
- Marca quais eventos deseja receber — tipicamente "mensagem recebida", mas também há status de entrega e leitura, conforme a necessidade do cenário.
- Salva. A partir desse momento, o WhatsApp do número passa a entregar os eventos como POST na URL configurada.
Feito isso, mande uma mensagem de teste para o número conectado: o Custom webhook do Make é acionado na hora e o cenário começa a rodar com os dados da mensagem. É assim que se monta um recebimento de mensagens no Make sem polling e sem gambiarra — a entrega é empurrada pelo WhatsApp em tempo real.
Testando ponta a ponta
Como testar a integração entre o zapon e o Make?
Para o envio, rode o módulo HTTP com um número de teste e confirme que a mensagem chegou no WhatsApp e que o output trouxe success: true. Para o recebimento, deixe o cenário do Custom webhook em modo "Run once" e envie uma mensagem ao número conectado, verificando se o cenário foi acionado com os campos corretos.
Validar nas duas direções leva poucos minutos:
- Teste de envio: no Make, use "Run this module only" no módulo HTTP, com um
Phone seu. Confira três coisas — a mensagem chegou ao aparelho, o output trouxe "success": true e existe um id em data. Se vier erro de autenticação, revise o header token; se vier erro de número, revise o formato (só dígitos, com DDI e DDD).
- Teste de recebimento: com o cenário do Custom webhook em "Run once" (escuta), envie uma mensagem de outro celular para o número conectado. O módulo deve disparar na hora e mostrar o "bundle" recebido. Inspecione esse bundle para confirmar que o texto e o remetente chegaram como esperado.
- Teste de ida e volta: com os dois cenários ativos, monte uma resposta automática simples — o webhook recebe, o módulo HTTP responde — e troque algumas mensagens para ver a conversa fluir nas duas pontas.
Se nada dispara no recebimento, o suspeito número um é a URL: confirme que você cadastrou no zapon exatamente a URL do Custom webhook e que o cenário foi ligado (toggle "ON" no canto inferior do editor) para escutar em produção, não apenas em "Run once".
Exemplos de cenário
Que cenários de WhatsApp dá para criar no Make com o zapon?
Praticamente qualquer fluxo disparado por evento: confirmação de pedido assim que o pagamento entra, um chatbot com Router decidindo respostas, lembretes enviados por Scheduling e notificações a partir de um CRM ou de uma planilha. Em todos, o módulo HTTP envia e, quando há diálogo, o Custom webhook recebe.
Com os dois cenários anteriores como base, dá para combinar gatilhos do Make com a API do zapon de inúmeras formas. Quatro exemplos comuns:
1. Confirmação de pedido
Um gatilho (o módulo Watch da sua loja, um webhook do checkout ou uma linha nova no Google Sheets) inicia o cenário quando um pedido é pago. Um módulo de texto monta a mensagem com os dados do pedido e o módulo HTTP dispara a confirmação. No Make, os trechos entre chaves marcam onde você arrasta os campos do módulo anterior:
confirmação de pedido
POST https://api.zapon.dev/chat/send/text
token: SEU_TOKEN
{
"Phone": "{{1.telefone_cliente}}",
"Body": "Pedido #{{1.id_pedido}} confirmado! Obrigado pela compra."
}
2. Chatbot com Router
O cenário começa no Custom webhook (mensagem recebida), passa por um módulo Router cujas rotas têm filtros que olham o texto recebido e escolhem o caminho — um menu, uma FAQ, um "falar com atendente" — e cada rota termina num módulo HTTP que devolve a resposta ao cliente. É a forma mais enxuta de integração Make WhatsApp conversacional: escutar, ramificar, responder.
3. Lembrete agendado
O gatilho é o próprio agendamento do cenário (Scheduling), configurado para rodar todo dia em um horário fixo. Um módulo de busca (Google Sheets, Airtable, banco SQL) traz os compromissos do dia e um Iterator percorre a lista; para cada item, o módulo HTTP dispara o lembrete. Excelente para consultas, agendamentos e renovações.
4. Notificação de CRM
Quando um negócio muda de etapa no seu CRM, um webhook do CRM dispara o cenário no Make, que envia uma mensagem ao lead — um follow-up, uma proposta, um aviso. Como cada conexão tem o seu token, dá para escolher o número de origem trocando o header token conforme o vendedor responsável pelo negócio.
Boas práticas e limites
Quais os limites e cuidados ao automatizar o WhatsApp pelo Make?
O zapon não usa a API oficial da Meta: o número conectado é um WhatsApp comum, então a saúde dele depende de você. Evite disparos em massa para quem não espera mensagem, mantenha o conteúdo relevante e use números dedicados. No Make, atente também ao consumo de operações por ciclo. O preço do zapon é R$ 27 por número, com mensagens ilimitadas.
Alguns pontos para a integração durar:
- Preço previsível no zapon: R$ 27 por número por mês, com mensagens ilimitadas. Sem custo por mensagem, fluxos de alto volume (lembretes diários, notificações) ficam financeiramente tranquilos do lado do WhatsApp.
- Operações do Make: cada módulo executado consome uma "operação" do seu plano. Em cenários de alto volume, prefira um Iterator único a vários cenários separados e use filtros cedo para descartar bundles que não interessam antes que módulos extras rodem.
- Saúde do número: como é um WhatsApp comum pilotado por API, o número segue as regras de uso normais do WhatsApp. Disparar muitas mensagens para quem não te conhece é o caminho mais rápido para um bloqueio. Mantenha listas com opt-in, conteúdo relevante e um ritmo natural — no Make, um módulo Sleep entre envios ajuda a espaçar.
- Sem API oficial da Meta: é uma vantagem (sem fila de aprovação, sem templates, sem custo por mensagem) e também a contrapartida (a responsabilidade pela boa conduta do número é sua). Para automação interna e atendimento, é o melhor custo-benefício.
- Idempotência: em cenários disparados por eventos, proteja-se contra reexecuções. Grave o
id retornado e evite reenviar a mesma mensagem caso o Make reprocese um bundle após um erro.
- Segurança do token: trate o
token como senha. No Make, prefira guardá-lo numa Connection ou numa variável de dados a deixá-lo escrito no header de cada módulo.
Perguntas frequentes
Existe um app oficial do zapon no Make?
Não é necessário. Os módulos genéricos HTTP e Webhooks do Make cobrem envio e recebimento, porque o zapon é uma API REST padrão. O módulo HTTP faz a chamada de envio e o Custom webhook recebe os eventos.
Como o Make autentica na API do zapon?
Por um único header chamado token, cujo valor é o token da sua conexão (copiado no painel do zapon). Não é Bearer nem OAuth: basta adicioná-lo na seção Headers do módulo HTTP, idealmente guardado numa Connection ou variável.
Qual a URL e o corpo para enviar uma mensagem?
A URL é https://api.zapon.dev/chat/send/text, método POST, com um body JSON contendo Phone (número de destino, só dígitos, com DDI e DDD) e Body (o texto). A resposta traz success true e o id da mensagem.
Como recebo mensagens com um Custom webhook?
Crie um cenário iniciado por Webhooks > Custom webhook, copie a URL gerada e cadastre-a na seção Webhook da sua conexão no zapon, marcando os eventos. Provoque um primeiro evento para o Make aprender a estrutura dos dados e pronto.
Posso encadear o WhatsApp com outros apps?
Sim, e esse é o ponto forte do Make. No mesmo cenário você conecta planilhas, CRMs, e-mail, bancos e o WhatsApp, usando Routers e Filters para ramificar a lógica entre eles.
Por que o Make não está recebendo os eventos?
Geralmente é a URL ou o estado do cenário. Confirme que a URL cadastrada no zapon é exatamente a do Custom webhook e que o cenário foi ligado (toggle ON) para escutar em produção, e não apenas em Run once.
Preciso da API oficial da Meta ou de uma conta WhatsApp Business?
Não. O zapon conecta um número de WhatsApp comum por QR Code ou código de pareamento. Não há fila de aprovação da Meta, templates obrigatórios nem custo por mensagem.
Quanto custa e tem limite de mensagens?
São R$ 27 por número por mês no zapon, com mensagens ilimitadas. Você ainda tem 14 dias grátis, sem cartão, para testar a integração com o Make antes de assinar.